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A mudança do prefeito
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19/10/2007 | 14:32 |
A mudança de partido por parte do prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, antecipa o processo eleitoral na cidade e trás novos elementos na construção de cenários para as forças políticas que se preparam para a disputa. Apesar de estarmos a um ano do pleito, a iniciativa do prefeito é o primeiro lance político significativo de preparação para as eleições. A sua migração para o PMDB vinha sendo articulada há muito foi decidida após obter a garantia da sua indicação como o candidato pela sua nova legenda. Além de ganhar a indicação para concorrer, a manobra impede que o PMDB apóie outra candidatura. Ou seja, a sua saída do PPS é considerada há muito, como demonstra o episódio de Clóvis Magalhães, um dos seus principais assessores, que cumpriu o papel de “pelotão de frente” do prefeito ao fazer o trânsito do PPS para o PMDB bem antes.
Além de demonstrar que o projeto do núcleo político formado ao redor da liderança do ex-governador Antônio Britto não resistiu mais do que seis anos e não possui mais a veleidade de projeto alternativo, essa mudança demonstra que o núcleo dirigente do atual governo está muito receoso das suas reais possibilidades eleitorais.
Mesmo com a possibilidade de pulverização de candidaturas, tanto na sua base de apoio, quanto na oposição, o que invariavelmente beneficia o candidato de situação, o prefeito e seus mais próximos conselheiros não parecem muito confiantes nas possibilidades de reeleição. Tanto que assumiram os riscos de mudar de partido para evitar o fortalecimento de outra candidatura que, segundo o senador Pedro Simon, poderia ser a deputada Manuela (Pcdo B), situada no campo da oposição ao governo municipal.
Apenas o grande receio de repetir a “síndrome Rigotto” e ficar fora do segundo turno pode ter dado o impulso suficiente para que o prefeito de uma capital, reconhecida como uma das mais politizadas do país, abandone o partido pelo qual se elegeu, em plena vigência do mandato. Ainda mais quando essa decisão coincide com o período em que o STF consagra o princípio de que os mandados são dos partidos e não dos eleitos, julgando representação apresentada pelo próprio PPS, agora ex-partido do prefeito.
*sociólogo, ex-secretario municipal do meio ambiente. |
Por Gersom Almeida. |
Texto atualizado em 19/10/2007 | 14:32  |
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