DCE da UFRGS: Um troféu para a elite
O resultado das eleições de 2009 para o DCE da Ufrgs gerou um troféu para elite.
No movimento estudantil sempre houve o debate sobre a partidarização e o aparelhamento das entidades estudantis. Nesta discussão, muitas vezes hipócrita, desgastaram-se gestões e desmobilizou-se a base. É sabido que estamos vivenciando uma nova etapa de lutas e formas de organização, mas não podemos deixar de mencionar que a maioria da militância estudantil está ligada a partidos políticos e isso não é ruim, pelo contrário, demonstra a liberdade do pensamento e de posicionamento e fortalece a democracia.
A idéia de grupos conservadores como a RBS e partidos tradicionais de direita sustenta um discurso baseado na despolitização, ou seja, tenta desvincular o DCE das lutas gerais que estão permanentemente em disputa na sociedade.
É assustador presenciarmos, numa universidade pública, o crescimento do discurso da direita da ideologia do antiesquerdismo, também trabalhado várias vezes pelo PSOL, como antipetismo.
O papel de ZH neste episódio ficará registrado na história do movimento estudantil, pois sempre foram destacados pela colunista política somente os encontros das juventudes partidárias de direita, as novas composições e lançamento de candidaturas com direito a fotos.
A matéria da página 8 da edição de Zero Hora do dia 24 de novembro estampa o título: Guinada à direita – Esquerda perde hegemonia no DCE. Em Cadernos do Cárcere, Gramsci coloca as práticas de construção e manutenção da hegemonia das classes dominantes, a importância das questões ligadas à direção cultural e moral que essas classes imprimem ao todo social. Esse estudo engloba as estruturas do Estado, enriquecendo-se com um novo conceito: o de aparelhos de hegemonia.
Para conquistar a hegemonia é necessário que a classe fundamental se apresente às demais como aquela que representa e atende aos interesses e valores de toda a sociedade, obtendo o consentimento voluntário e a anuência espontânea, garantindo, assim, a unidade do bloco social que, embora não seja homogêneo, se mantém, predominantemente articulado e coeso. Significando que a classe hegemônica deve ser capaz de converter-se em classe nacional, no caso estudantil capaz de envolver todos os estudantes em um mesmo projeto histórico e capaz de assumir, como suas, as reivindicações das classes aliadas, devendo ficar bem clara a incompatibilidade existente entre hegemonia e corporativismo.
Nesse sentido, o desenvolvimento da contra hegemonia será necessário para estabelecer uma nova cultura no movimento estudantil, representado por lideranças de esquerda, em oposição à hegemonia da direita. Para isso, a conscientização de que a superestrutura, tanto no campo dos valores e normas, como na visão de mundo, é o terreno da disputa, pois é na "arena da consciência" que as elites utilizam os seus intelectuais orgânicos para manter a dominação.
*Direção da JPT, ex-presidente do grêmio estudantil do Julinho, ex-vice-sul da UBES e ex-presidente do CASTA PUCRS.
Por Miguel Idiart Gomes*. |