Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas acerca da evolução das tarifas de ônibus urbanos demonstra que em todas as capitais brasileiras, o preço da tarifa do transporte coletivo urbano vem subindo bem mais que a inflação.
Em Porto Alegre, durante o governo Fogaça, enquanto o IGP-M, índice que deveria ser utilizado como referência, subiu 24,31%, as tarifas já subiram 35,48% passando de R$ 1,55 para R$ 2,10 e agora, atendendo pedido dos donos das empresas, Fogaça que elevar a tarifa para R$ 2,35, o que acumularia a distorção para 51,61%. Se Fogaça tivesse utilizasse o IGP-M para reajustar as tarifas, a passagem poderia em 2009 vigorar em R$ 1,92.
Somente em relação a 2008, enquanto o IGP-M, até 31 de janeiro, segundo projeção do Banco Central, subiu 8,35%, Fogaça quer conceder um reajuste de 11,90%, penalizando novamente os trabalhadores, os estudantes e as demais parcelas da população que dependem de ônibus para se deslocar.
Os empresários argumentam que os demais itens como combustíveis, pneus e outros itens tiveram altas maiores, porém outros itens que compõem a tarifa sofreram reajustes menores, compensando e trazendo o valor real para próximo do IGP-M que mede justamente a variação dos preços no atacado. Apenas para termos uma idéia, o custo com pessoal caiu de 2007 para 2008 de 46,2% para 44,12% do custo total, o que significa arrocho salarial. Além disto, o índice de reajuste de salários concedido para os rodoviários em 2009 é de apenas 7%.
Ademais a introdução da bilhetagem eletrônica acabou com a evasão no sistema, aumentando muito a rentabilidade das empresas porque não há falsificações de cartões, como havia com as fichinhas de vale transporte e o dinheiro das passagens entra antecipadamente no cofre das empresas podendo se aplicado e remunerado.
*Luis Afonso Martins e Chico Vicente são representantes da CUT no COMTU |