Quais são os elos perdidos? Quais são os elos partidos? Quais os anseios escondidos que acorrentam a vida? Qual a juventude perdida? Qual a juventude partida? São estas as perguntas que devemos nos fazer, todas e todos, mães e pais, mulheres e homens, governantes e governados.
Teremos que ter mais do que olhos para olhar para isto. Teremos que ter corações e mentes voltados para a vida, não para as gerações futuras. Para a vida atual, aqui e agora, no presente. É inócuo falar de futuro quando assistimos a tudo como a um filme que vamos lá, pagamos um ingresso e depois saímos comentando: gostei, não gostei! Não, este não é um filme de drama, policial, de terror, não! Este sequer é um filme. É vida e bem real! A mim não basta que cuide dos meus e que os demais se danem. A mim não basta olhar para jovens acorrentados pelo desespero, para resistir à droga, e não sentir dor alguma pelos elos perdidos, pelas vidas partidas. A mim não basta sequer minha indignação. Não basta escrever, mesmo que escreva. Nada em mim me deixa sossegar ao ver a vida assim acorrentada. Pois é disto que se trata: a juventude que habita em nós encontra-se acorrentada, partida. Há uma esquizofrenia tomando conta de todos. A vida está doente, está de cama, está acorrentada. Aprisionada!
Não estamos vendo um jovem acorrentado apenas. É a nossa imagem que está ali refletida. É o tanto de juventude perdida que há em cada uma, cada um de nós. São sonhos desencaminhados, derrotados.
E quem, senão nós próprios, somos responsáveis por isto? Somos responsáveis quando ao termos oportunidade de escolher governantes, gestores, não paramos para pensar em tudo isto. E escolhemos, muitas e muitas vezes, utilizando critérios egoístas, centrados apenas nas nossas necessidades mais imediatas, como se a vida fosse esgotar-se agora. Escolhemos como se o futuro não existisse. E com isto escolhemos deixar sem futuro a juventude. Aquela que jaz abandonada em cada um de nós. Aquela que não ousamos mais querer ver. Aquela que recebe tantos nomes, tantos rótulos pela mídia, por especialistas, que a olham como algo distante, inatingível: fase transitória, fase de rebeldia, fase de irresponsabilidades, fase de descaminhos, de irreverência, de inconsequência! E vai-se a juventude de todos pelo ralo abaixo, entre tantos adjetivos!
Enquanto isto desfilam pelos nossos olhos as fotos de jovens acorrentados, de estatísticas esbugalhadas de números que quantificam a juventude perdida, a juventude partida, prostituída, drogada, acorrentada.
Enquanto nós, todas e todos, olharmos para vida como um negócio a ser bem administrado, com seus prós e contras, como uma mercadoria a ser consumida, olharmos para a política como algo que tem que nos dar o imediato, só para mim e para os meus! Olharmos para a juventude como fase disto ou daquilo, e não como pessoas que expressam a força que impulsiona a vida a mudar, a ser questionada, a ser desacomodada, não serão desfeitas as correntes daqueles que nós próprios aprisionamos. Não haverá liberdade para a juventude, não haverá saída para o uso de drogas, porque a maior droga é aquela consumida no dia-a-dia por cada um e cada uma de nós, por governantes e governados, por gestores e gestados: a sociedade do capital, da falta de solidariedade!
Magda Flores
Secretária de Mulheres do PT/Porto Alegre
Psicóloga e Assessora Parlamentar |